Saturday, September 03, 2005

Leituras

Sempre o mesmo castiço. O que eu me rio com as entrevistas do Luiz Pacheco, 80 anos, a viver num lar de idosos há dez e sem sair há três. Esta semana, duas, no JL e na Visão, a propósito da edição de Diário Remendado 1971-1975 (Dom Quixote). Segue uma pequenina amostra da primeira, conduzida por Rodrigues da Silva.

Ainda lês?
Não. Cada dia vejo pior (...) E também ouço mal. Há dias, a miúda da cozinha bateu-me à porta a dizer que o almoço era arroz de pombo. Pensei: "De pombo! Devem ter morto os pombos todos do jardim". Afinal não era arroz de pombo, era arroz de polvo, porra. Devo ter ouvido mal, mas só percebi quando meti o garfo à boca. É que também já não vejo o que está no prato. Um gajo vai perdendo isto, depois aquilo... Foder não é indispensável. Deixar de ver e de ouvir é que é pior, mas cá me aguento. O instinto de sobrevivência é muito forte.


Que é como quem diz, aguenta Pacheco!