Monday, November 21, 2005

Memória desgraçada

Como hoje, acontece-me frequentemente. Vou na rua e cruzo-me com um fulano qualquer que me cumprimenta de passagem com simpática deferência, ao que a boa educação me manda corresponder com idêntica saudação. Normalmente, levo o resto do percurso de ocasião a matutar de onde conheço aquela cara, o que faço a maior parte das vezes sem o almejado sucesso. Em regra, passadas algumas horas ou no dia seguinte, quando já nada o faz prever, faz-se luz sobre o rosto olvidado. No entretanto, a penumbra vai-me remoendo a ideia com irritante persistência — "foda-se, conheço aquele caralho de algum lado" — o que não tem, convenhamos, graça nenhuma.