Thursday, December 08, 2005

Inveja

É o mais torpe dos sentimentos, diz-se. Talvez seja, não sei. Mas melhor seria, creio eu, renegar tão sórdido qualificativo que, ou muito me engano, raramente se traduz em manifestações empíricas que justifiquem algum prurido ético pela putativa ignomínia. Não se puna a consciência por aquilo que dela não chegou a libertar-se sob pena de castigar o pensamento que nenhum acto concretizou. Calma, não se assustem. Limito-me a correr os dedos pelo teclado obedecendo aos dítames desta madraça e desaustinada mente. Sim, a coisa soa-me a advérbio de modo e faz todo o sentido. Suponho que os tementes do divino expiam este suposto pecado em prostrada genuflexão e reza de contrição. Eu, desajeitado laico pouco dado a súplicas e confissões, remedeio o dito embaraço com o recurso mitigador de arremedos idiossincráticos em forma de post.