Wednesday, August 31, 2005

Solilóquio

— Tens que apertar o crivo, a coisa está a descambar.
— O quê?
— O crivo de qualidade mínima exigível nos posts.
— Ora essa, nunca tive.
— Tu até tens boas ideias mas depois falta-te qualquer coisa ...
— O léxico, o talento na escrita ...
— Pois, mas isso é tão óbvio que nem era a isso que me referia.
— Eu sei, é aquele je ne sais quoi que distingue os eleitos ...
— Lá tás tu a querer dar ares duma erudição que nunca respiraste.
— Olha-me este ... mas não é pra isso que servem os blogs?
— Nem todos.
— Com o mal dos outros posso eu bem.
— Então vê se aprendes alguma coisa com eles.
— O quê?
— Por exemplo, um monólogo não leva o travessão dos diálogos.
Ok, pronto, tás contente? ... outra coisa, não devias voltar a mexer nos posts depois de os publicar ... who cares, they call it 'work in progress' ... já agora, essa prosápia dos anglicismos também não te fica nada bem ... well, tell me something i don't know ...

Fair play

Dava sempre razão ao Dias da Cunha quando a merda do pc crashava.

bisbilhotice & calhandrice


Elliot Erwitt | Czetochowa, Poland | 1964

Tuesday, August 30, 2005

Disfunção eréctil

"No hard feelings", disse ela na despedida.

(the characters and events depicted in this post are fictitious. any similarity to actual persons, living or dead, is purely coincidental)

Da presunção

Era tanta que até leu nas entrelinhas de uma linha só.

Monday, August 29, 2005

Triângulo isósceles

Gostava das duas mas as gémeas nunca lhe ligaram nenhuma.

Triângulo escaleno

Sentiu-a sempre mais próxima do outro.

Triângulo equilátero

Mais uma vez, ficou com as arestas em vez do vértice.

Triângulo amoroso

A geometria nunca foi o seu forte.

Sunday, August 28, 2005

Solidão /05

Desinstalou o messenger.

No iTunes


坂本龍 | Chasm | 2005
(import using mp3 encoder, higher quality /192 kbps)

Outro dia

Amanhece lá fora, dizem-me os buraquinhos da persiana. O sacana dum galo canta a alvorada com sotaque de Barcelos, o cabrão. Deve ser, porque está-me a irritar como o caraças e ainda não se calou de anunciar o óbvio. Chega. Vou-me deitar outra vez que já são horas. Hoje é outro dia.

Sobre o lado esquerdo

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos cristais. E então, das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.
No segundo caso, o homem que não dorme pensa: "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração."




Carlos de Oliveira (1921-1981) in Sobre o Lado Esquerdo | 1968
(retirado de Trabalho Poético /obras completas, ed. Círculo de Leitores)

Memória anacrómica

Tão novo e já só se lembrava das coisas em sépia.

(sim, eu sei, a palavra não existe ... quer dizer, não existia até há pouco ...)

Saturday, August 27, 2005

palavra cruzada

Friday, August 26, 2005

Do imaginário

Não é justo. O blogger lisboeta leva sempre um metro de avanço dos restantes.


Arthur Leipzig | Subway Lovers | 1949

ne varietur

Um 's' por um 'm', algures ali em baixo. Definitivamente, faz-me toda a diferença.

Justifying posts

Justifiquei os outros para justificar este.

Thursday, August 25, 2005

Da homonímia

Cada vez que o guarda-redes do Sporting dá um frango, tenho um torcicolo garantido para o resto da semana.

Barrigas

Ele bebe cerveja todos os dias.
Ela bebeu demais naquela noite.

Wednesday, August 24, 2005

Basic instinct

Quando só os fotógrafos podiam fazer pause.


Milan | Le Reve (The Dream) | 1951

Adultério fatal

Só queria dar uma facadinha no matrimónio, mas o médico legista disse que foram cinco.

A carne é fraca

Fosse outra a desculpa, e a mulher do homem do talho não perdoaria as infidelidades do marido.

Tuesday, August 23, 2005

Tio & sobrinho #3

— Ó tio, porque é que tu não tens namorada?
— Come e cala-te.

Tio & sobrinho #2

— Ó tio, não consigo dar xeque-mate com a dama ...
— É bom que te habitues.

Tio & sobrinho

Sou tio e padrinho, uma dupla responsabilidade quando nos sai na rifa o sobrinho afilhado em férias. O puto tem onze anos mal feitos e passa-me horas a jogar o God of War para maiores de 18, na PlayStation. Sou forçado a tomar providências.
— Dá cá isso, eu é que vou dar cabo dele ...

Monday, August 22, 2005

About me

Finalmente, perdi a vergonha: a partir de hoje, o meu perfil fica exposto aqui ao lado na coluna da direita do template, assim alguém o queira apreciar por sua conta e risco. Aviso: sexo explícito.

Sunday, August 21, 2005

Motu proprio

Deixou de viver segundo as instruções e passou a viver seguindo as instruções.


Robert Frank | Los Angeles | 1956 (from The Americans)

Saturday, August 20, 2005

De pequenino se torce o pepino

Duas famílias numerosas no café. Ocupam mesas adjacentes mas não se conhecem. Os adultos conversam entre si. As crianças misturam-se na brincadeira e vão cirandando por ali. Uma delas, mais afoita, não resiste ao impulso da curiosidade. Leva um estalo e um ralhete da progenitora. Os pais da ofendida ainda esboçam um protesto pela veemência do castigo. Depois disso, os miúdos sossegam, cada qual no seu canto genealógico. Quando o grupo da vítima inocente se retira, a pequenita vira-se uma última vez para o atrevido réu. Gosto de pensar que o absolveu com aquele olhar.


Helen Levitt | Boy Lifting Dress | 1940

Inventário

fim de tarde à beira-mar
entre duas praias já semi-desertas
arrefece, o vento sopra q.b.
mas o sol ainda vence as nuvens
sigo o apelo do sul
caminho sem ritmo certo
a espuma das ondas banha-me os pés
dois surfistas dão à costa com as respectivas pranchas
um terceiro demora-se lá dentro mais um pouco
mais à frente
um par de namorados regressa enlaçado, envolto numa toalha
(ele mordisca-lhe a orelha, ela solta risinhos)
um homem corre na areia rente ao mar, ida e volta
(há gente mesmo doida)
um voyeur de boné espreita do cimo da falésia para as dunas
(não é o seu dia de sorte)
avisto um bando de gaivotas
dez, quinze, talvez mais, paradas na areia molhada
deixam-me aproximar até meia-dúzia de metros
(caramba, nunca estive tão perto delas)
saco do telemóvel e tiro duas fotos
ficam uma merda, claro
(siemens c65)
as patitas delas num frenesim a dar a dar
umas atrás das outras começam a bater as asas
lançam-se em círculos esvoaçantes que me cercam lá de cima
mais à frente
olho para trás, já poisaram de novo
continuo a andar
não consigo perceber se a maré está a subir ou a descer
vou distraído já não sei com quê
uma onda mais forte molha-me os calções
e metade da t-shirt por cima deles
foda-se,
agora vão demorar a secar
(paciência)
observo a água limpando pegadas areia acima
e logo deslizando obediente de regresso ao dono
vem-me à cabeça o Burt Lancaster e a Deborah Kerr
vá-se lá saber porquê
que nunca me vi por ali nesses preparos
(infelizmente)
paro uns instantes, mãos na ilharga
inspiro e respiro o cheiro da maresia
escurece, vejo as horas
(7.35 pm)
porra,
é tarde
dou meia volta e empreendo o percurso inverso
espero que o carro ainda lá esteja
depois um duche, jantar e o futebol que começa hoje
acelero o passo
a areia fina e seca liberta-me os pés da húmida irmã
já falta pouco
aguenta-te
é só mais um bocadito de consciência
a pensar na porcaria da tua vida
ou na falta dela.

Friday, August 19, 2005

No leitor de CDs #10


Aimee Mann | Bachelor n.º 2 or, the last remains of the dodo | 2000 |


(definitivamente, a melhor singer/songwriter que por aí anda. tenho dito)

Comédia de equívocos

— Tenho aqui este... A Divina Comédia... não sei se é isto que o senhor quer...
— É para oferecer, menina ... desde que seja uma comédia, pode ser.
(uma livraria, um casal de emigrantes, uma empregada hesitante entre o negócio e a ética, ou talvez não)

Thursday, August 18, 2005

O filatelista

Cada e-mail que recebia dos amigos era como uma punhalada nas costas.

Simplesmente maria

Tinha uma filha maria-rapaz e um filho a modos que rapaz-maria.
Tinha neles um orgulho desmesurado como só os pais podem ter ainda que não achasse justo tantas marias na terra.
Tinha até um tremendo mau génio quando lhe chegava ao ouvidos alguma boca da vizinhança maldizendo as meninas dos seus olhos. "Mau maria ..." começava ele num tom ameaçador que logo impunha respeito na plateia beata e calava a má-língua circundante.
Mas à noite, deitado na cama com a mulher a seu lado, também tinha sempre o mesmo lamento acusador de quem há muito deixara de ser rapaz.
— Maria, a culpa é toda tua!
Ela nunca se defendia. Sabia que faltava menos um dia até chegar a noite em que ele adormeceria sem o desabafo da virilidade sofrida. Simplesmente.

Wednesday, August 17, 2005

Patético

Estavas tão bem a ver o telejornal... já tens idade pra ter juízo e continuas a escrever posts anódinos com esse lirismo imberbe que nunca te levou a lado nenhum... e em Agosto, ainda por cima...

A rubra espiral do desejo

perder-me naquele labirinto
e não mais ser achado
entre as pétalas do seu âmago


Ernst Haas | Rose | 1970

Ciúme

Viu-a desapertar o segundo botão da blusa, os lábios entreabertos, um leve suspiro, o rosto afogueado. Maldita canícula que lhe usurpava os calores que ele sonhava só para si.

Rescaldo

O fogo dele estava agora circunscrito a ela.

Bullet with my name on it

Concederam-lhe um último desejo antes de dispararem sobre ele. Lembrou-se daquela música dos Dream Syndicate como forma de ganhar algum tempo. No fim, perdeu a vida na mesma mas facilitou bastante a identificação do cadáver. Sempre atencioso, e sem nunca ter conseguido alguém que o chorasse.


The Dream Syndicate | Medicine Show | 1984 | A&M
(a propósito duma recorrente sensação de dejá vu, trauteando o riff em causa)

Daltonismo

Não gostava do Lucky Luke a preto e branco.

Tuesday, August 16, 2005

Quando era puto não gostava de poesia #3

Agora resgato poemas que me perseguem.

Cobarde, por que murmuras todo o dia no teu coração a
palavra do amor?
Porque falas dela incessantemente,
A toda a hora, a qualquer hora
Excepto quando está presente em carne e osso?
Deixa-te disso, homem,
Vai ter com ela, e tenta portar-te como se falasses a sério.

in Poemas de Amor do Antigo Egipto | Assírio & Alvim
(trad. Hélder Moura Pereira)

O homem que desperdiçava posts

Foi a Lisboa e não passou pela Fnac.

Monday, August 15, 2005

Alinhamento

120 km na A1 em pleno pico de calor com o ar condicionado avariado
uma camisa encharcada de suor colada ao corpo
a confusão do costume na entrada
1 t-shirt oficial Vertigo Tour 2005 (30€)
4 horas de seca à espera do menu principal
idas ao bar (muitos líquidos)
Kaiser Chiefs (muito meia-bola e força, do sítio em que os ouvi)
um som de merda nas bancadas (boa acústica pra assobiar árbitros)
nova ida ao bar (mais líquidos e um cachorro sofrível)

Vertigo
I Will Follow
Electric Co.
Elevation
New Year's Day
Beautiful Day
I Still Haven't Found What I'm Looking For
City of Blinding Lights
Miracle Drug
Sometimes you Can't Make It On Your Own
Love and Peace
Sunday Bloody Sunday
Bullet The Blue Sky
Miss Sarajevo
Pride (in the Name of Love)
Where the Streets Have No Name
One

Zoo Station
The Fly
With or Without You

All Because of You
Yahweh
40

os moços ainda estão em forma
o ritual continua a valer a pena
venha o próximo
(sob o efeito dum zumbido persistente nos ouvidos)

Sunday, August 14, 2005

A outra solidão

Era o único que não achava o Mourinho o melhor treinador do mundo.

Saturday, August 13, 2005

No leitor de CDs #9

As colunas cá de casa continuam a debitar alguns aperitivos.




U2 | The Joshua Tree | 1987 | Island
U2 | Rattle and Hum | 1988 | Island
U2 | Achtung Baby | 1991 | Island
U2 | Zooropa | 1993 | Island
Passengers | Original Soundtracks 1 | 1995 | Island
U2 | Pop | 1997 | Island
U2 | All That You Can't Leave Behind | 2000 | Interscope
U2 | How To Dismantle An Atomic Bomb | 2004 | Interscope
(+ um post sem jeito nenhum, só para mostrar que tenho a discografia toda dos gajos e mereço lá estar)

Observações de praia #2

Errata
  • onde se vê relva, veja-se areia
  • onde se vê arvoredo, veja-se uma falésia embutida de rochas
  • onde se vê roupa, tirem-na
  • o mar não se vê, mas fica à direita

Bill Brandt | Evening in Kenwood | 1931-35

Friday, August 12, 2005

Esse obscuro objecto de desejo

Mandava-o sempre apagar a luz primeiro.

Indelével ambivalência

Fixou-lhe os traços a tinta-da-china no primeiro dia. Desde então, pensa nela em cores vivas a toda a hora.

Adágio

A música não era tudo. Farto de estar só, desejava mesmo uma má companhia.

Thursday, August 11, 2005

Observações de praia

A saia é a melhor amiga do erotismo. O bikini dá-se bem com ele. São coisas diferentes.

Walk on

— Então, caralho?!
— Calma, eu explico ...
— Calma?! Dizes-te malfadado ... mas conseguiste bilhete para os U2!!
— O que é que queres ... tenho lá em Lisboa um irmão sportinguista, daqueles fanáticos, sócio cativo com lugar no estádio e tudo ...
— Epá, ... ehh ... pronto ... desculpa lá, ... não queria ofender ...
— ... como tinham preferência na compra, arranjou-me um ...
— Humm ... então foi isso ...
— Ainda por cima, mais ninguém da malta conseguiu, vou ter que ir sózinho ...
— Tchii ... pois é ...
— E prá bancada, é que nem sequer dá pra ajudar a estragar o relvado aos gajos ...
— Realmente, é preciso ter azar ...
— E a batelada de massa que me vai custar esta brincadeira? ... bilhete, gasolina, portagens ...
— Foda-ssse ... pois é, pá ...
— É assim ...
— Mas tens que aguentar ... melhores dias virão ...
— Sei lá ... é a vida ...
— Vá lá, coragem, ergue essa cabeça, pá ...
— Pois ... isso é fácil de dizer para quem fica em casa ...
— O que é preciso é seguir em frente ... nunca te esqueças disso ...
— Olha, tens razão, pá ... é mesmo isso que vou ter que fazer ...

No leitor de CDs #8

14th August Lisbon - Alvalade, Sold Out
Support Act: Keane/Kaiser Chiefs



U2 | Boy | 1980 | Island
U2 | October | 1981 | Island
U2 | War | 1983 | Island
U2 | The Unforgettable Fire | 1984 | Island
(revendo a matéria dada, em estágio para domingo)

Wednesday, August 10, 2005

so you want to be a blogger?

Não raras vezes, deparamo-nos com um patético ajuntador de palavras, reincidente compulsivo em despudoradas citações paradoxais ou presunçosas.

so you want to be a writer?

if it doesn't come bursting out of you
in spite of everything,
don't do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don't do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don't do it.
if you're doing it for money or
fame,
don't do it.
if you're doing it because you want
women in your bed,
don't do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don't do it.
if it's hard work just thinking about doing it,
don't do it.
if you're trying to write like somebody
else,
forget about it.

if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you're not ready.

don't be like so many writers,
don't be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don't be dull and boring and
pretentious, don't be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don't add to that.
don't do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don't do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don't do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.



Charles Bukowski (1920-1994)
(copy/paste daqui)

"You talkin' to me? You talkin' to me? You talkin' to me? Then you the hell else are you talkin' to? You talkin' to me? Well I'm the only one here. Who do you think you're talking to? Oh yeah? Huh? Ok."

Travis Bickle (Robert De Niro) in Taxi Driver

Tuesday, August 09, 2005

2/3

Plantou uma árvore que acabou por secar e escreveu um livro com as palavras que nunca lhe disse.

Monday, August 08, 2005

It's only a post, Ingrid


Gordon Parks | Ingrid Bergman at Stromboli | 1949

Espelhos da alma

Há sete anos que cegou e não vê o fim daquele azar.

Quando era puto não gostava de poesia #2

Agora não me consigo ver livre dela.

Insónia é uma grilheta
Insónia é uma prisão
Insónia é um círculo vicioso

Precisamente neste momento
Dentro da minha cabeça
Dentro dos ossos

O meu pescoço roda
Cartilagens movem-se
Gosto do som dos meus próprios ossos

No meio desta emergência
Penso em ti
E só em ti

No meio de todo este sangue insone
Os teus lábios rosa
Os teus braços espreguiçando-se

Não consigo respirar sem ti
Mas este monte de costelas
Lá vai funcionando
Mecanicamente

17/5/82
Lancaster, Ca.



Sam Shepard in Crónicas Americanas | Difel
(trad. José Vieira de Lima)

Sunday, August 07, 2005

Sem tít

Não levava nada até ao
Deixava tudo a me
Até o no

Saturday, August 06, 2005

Textículo

Se os tivesse no sítio, não o tinha escrito.

Camafeu

Só tinha olhos para ela. Adorava resolver enigmas e aquela indecifrável beleza toldava-lhe o discernimento.

Friday, August 05, 2005

Ecologia

Foi espreitar o blog antigo há muito deixado ao abandono. Links desactualizados, fotos desaparecidas, textos que não fazem falta nenhuma a quem teve a desdita de tropeçar neles. O efémero da blogosfera no seu esplendor narcisista e poluente. Qualquer dia não cabemos cá todos, pensou. Vai daí, cumpriu a sua quota-parte de reciclagem e apagou-o.

Remake

Finalmente, consegui ver o propalado anúncio da Gamebox dos lagartos. Confere. Quando o árbitro apitar um daqueles penaltis "à Liedson" serão então doze, os indomáveis patifes em campo.

Os amigos são para as ocasiões

Ficou a sabê-lo quando numa delas apanhou a mulher a dormir com um deles.

O alpinista virgem

O Monte de Vénus era o seu maior desafio.

Sinais de fumo, sinais de fogo

Na praia, deitado na areia sob o efeito duma modorra soprada por um bafo infernal, observo as fagulhas de cinza desprendendo-se do céu, planando e poisando ao de leve, uma a uma, na toalha de banho cor de laranja.

Thursday, August 04, 2005

Site Meter

Às vezes ia ao blog tirar uma vírgula,,,,, só para enganar os frescos.

Toda a gente procura aquilo que não tem

Quando inquiridas sobre a qualidade que mais apreciam num homem, 99% das mulheres respondem invariavelmente "o sentido de humor".

Cinema & teologia

Depois de ver a Monica Bellucci a fazer de Maria Madalena n' A Paixão de Cristo do Mel Gibson, achei bastante plausível A Última Tentação de Cristo do Scorsese.


(que diabo, algum pretexto havia de arranjar pra meter aqui uma foto dela ...)

Vida profana

A sopa estava azeda mas nem reclamou. Lá em casa quem vestia o avental era ela.

Wednesday, August 03, 2005

Memórias da (estúpida) adolescência

— És racista?
— Não.
— Eras capaz de casar com uma preta?

Lembrava-se às vezes daquelas idiotices armadilhadas de preconceitos que ouvia nos recreios infantis. Ainda hoje se envergonha da tibieza hesitante da sua resposta de então.


Roy DeCarava | Mississippi freedom marcher, Washington, DC | 1963

No leitor de CDs #7

So many feelings
Pent up in here
Left alone, I'm with
The one I most fear.
I'm sick and I'm tired
Of reasoning;
just want to break out,
Shake off this skin.

I
I can't
Escape myself

(...)

You showed me that silence
That haunts this troubled world
You showed me that silence
Can speak louder than words

(Adrian Borland)



The Sound | Jeopardy | 1980 | Renascent
The Sound | From the lions mouth | 1981 | Renascent

Tuesday, August 02, 2005

Questionário de Proust

— Quanto é que custam os sete volumes? ... tanto? ... e desconto, fazem? ... não?

Revolução interior

— Ó pá, já não há pachorra para essa boutade aos Moleskines, pá.
— Eu sei, pá. Não me ocorreu agora mais nada ...
— E já agora, esta cena do diálogo também não é nada original, pá.
— Pois não, pá. Nem aqui o consigo ser.
— Quando não se tem nada para dizer, o melhor é não postar, pá!
— O que é que queres, pá? É o vício, pá.
— Olha pá, tira-me mas é daqui estes pás que já parecemos o Otelo a pensar, pá.

Nem assim

Tentaram tudo. Este ano até lhe compraram um Moleskine em vez daqueles blocos A4 da Ambar. Nem assim o raio do puto conseguiu subir as notas a Português.

Monday, August 01, 2005

Complexo de Salieri

Cotejava a mediocridade da sua prosa quando lia a poesia dos outros.

Monsieur Bovary

Gustave de escrever como o Flaubert.