Thursday, February 09, 2006

Pai, filho e o espírito tanso

"Todas as liberdades e todos os direitos têm que ter limites. E o primeiro desses limites é não anular as liberdades e os direitos dos outros. A minha liberdade cessa, os meus direitos cessam, quando destroem ou afectam gravemente os direitos e as liberdades dos outros."
Freitas do Amaral na TSF (citado no Público)

"Os cartoons dinamarqueses (...) são peças de puro "terrorismo intelectual", e ninguém devia ficar surpreendido com as reacções que geraram no mundo islâmico. A ideia era exactamente essa: mostrar ao mundo quão básicos, primários e “atrasados” são os povos islâmicos. Vir agora dizer que são actos de pura liberdade de expressão artística é de uma candura e inocência que afligem. E dizer que a liberdade de expressão é um valor absoluto espanta. (...)
Infelizmente, ao tratarem Maomé da forma que tratam, os cartoons conseguiram algo que Osama nunca conseguira: unir o Islão. É que não há quase nada em comum entre os milhões de islâmicos, a não ser Maomé. Assim, e apesar de serem propaganda bélica, os cartoons dinamarqueses são absolutamente estúpidos e levianos (...) É preciso ser totalmente estúpido para relacionar Maomé com bombas. É assim como culpar Jesus pela Inquisição. Que se saiba, nunca Maomé promoveu o terrorismo suicida."

Domingos Amaral no Diário Económico

Definitivamente, isto já cansa. Só os tansos apologistas do "respeitinho", do "bom senso" e da auto-censura induzida não compreendem que a inalienável liberdade de expressão e o seu consequente direito à 'blasfémia' não contradizem o dever de respeito pelas convicções religiosas dos indíviduos de per si. É a liberdade destes as professarem que é intocável, não as ideias, crenças, e práticas por eles defendidas.