Monday, February 06, 2006

Walerian Borowczyk (1923-2006)



"Por mais agradável que seja o amor, ele é mais apreciado pelas formas por que se manifesta do que pelo amor em si."
(La Rochefoucauld, Máximas)

Não por acaso, a citação serve de epígrafe aos Contes Immoraux (Contos Imorais) de Walerian Borowczyk, reputado realizador polaco agora desaparecido, dedicado praticante e empenhado cultor dum certo erotismo arty muito em voga nos anos setenta. Revê-lo hoje é, acima de tudo, reter o cinismo dessa verdade absoluta exemplarmente enunciada. Todavia, uma precoce nostalgia é cúmplice desta breve evocação: quando era puto — nunca me esqueço — cada vez que o antigo segundo canal da RTP anunciava numa daquelas sessões de 'cinema europeu de autor' um filme do Borowczyk (não interessava qual porque já intuía que todos eles 'metiam gajas nuas') via-me logo possuído por um frémito juvenil de impaciente excitação de quem já antecipava o sabor do fruto proibido e tudo planeava ao milímetro para colhê-lo às escondidas. Também por isso, aqui deixo o meu singelo reconhecimento em homenagem a este tipo.


Contes Immoraux | Walerian Borowczyk | França, 1974