Thursday, June 15, 2006

Corpo de deus(a)

Sou um agnóstico pragmático. Os feriados religiosos dão-me tanto jeito como os outros desde que não me obriguem a passá-los em missas ou procissões. Pessoalmente, prefiro a rotina insípida de ir até ao café do costume ler o jornal e espreitar a futebolada do dia na Sport TV. Enfim, vidas simples e acomodadas, daquelas que nunca darão azo a um blog interessante, não sei se estão a ver (ou a ler). Adiante. Enquanto ali distraio o olhar entre um enfadonho Inglaterra-Trindade e Tobago (2-0) e a leitura intermitente da crónica do Pacheco no Público de hoje, reparo na escultura eslava acabada de entrar acompanhada de dois matulões carrancudos oriundos pela pinta das mesmas paragens. O trio senta-se na mesa do fundo e, óbvio, a loira aparição disputa agora a atenção dos presentes ao plasma gigantesco. Tanta, que a dada altura até o Eriksson parecia olhá-la desde o banco inglês, if you know what i mean. Mas é quando ela se levanta e dirige aos lavabos que sinto uma fé renascida confirmar em absoluto a justeza do santo epíteto. No regresso bamboleante de tão essssssguios quadris, contornando à ilharga a minha cadeira e o seu deslumbrado ocupante, não evito um suspiro para mim próprio: "que corpo, meu deus!"